"A expectativa que criamos em relação a tudo o que nos rodeia, toma por
vezes dimensões inesperadas. É como uma fogueira que alimentamos, e
quanto mais madeira colocamos a arder, maior o seu fogo e mais ar nos
consome.
É assim que somos consumidos na nossa própria chama. A
energia que podia ser gasta noutras coisas, é dirigida a esta fogueira,
e de repente, estamos sem conseguir respirar. Porque o fogo tudo
consumiu, porque chegámos tão alto na nossa fasquia, que agora a queda
é imensa.
A expectativa é isso. É esperar demasiado, pensar
demasiado e depois gerir a demasiada frustração que é o resultado que
nos chega, quando as premissas não se cumprem. É uma suposta esperança
que se baseia em probabilidades, e nós sabemos que essas têm bases
muito frágeis... É uma espera que deixamos ao vento, porque na maior
parte das vezes, temos expectativas elevadas em algo que não podemos
manipular ou gerir.
Viver entre as expectativas que criamos
também nos influencia negativamente a partir do momento em que não
damos conta das pequenas vitórias que vamos alcançando na vida. E
quanto maiores as expectativas, mais tapadas essas pequenas vitórias
ficam. Qualquer acontecimento é minimizado, tendo em conta que, aquilo
que almejamos é completamente diferente, e é aquilo que é expectável.
O
combate às expectativas é urgente, até mesmo no colectivo. Por vezes
espelhamos expectativas muito elevadas na nossa sociedade, no nosso
país, e acabamos por não ver o que de bom existe, e esperando que, ao
ganhar um campeonato de futebol a vida colectiva melhore.
É como
se usássemos uma lupa, vemos o pequeno exageradamente grande e os
nossos olhos, que não estão habituados a estas visões, em vez de se
alarmarem, ficam maravilhados e alimentam esta forma de levar a vida,
levando-a em expectativa.
Será justo viver no que poderá ser e
não aproveitar aquilo que já é? Poderá o amanhã invisível ser melhor do
que o simples agora? Que mistérios da mente humana promovem este tipo
de vivência?"
quinta-feira, 15 de julho de 2010
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