Está a sabotar a sua felicidade?
Quer apaixonar-se, deseja uma relação estável, mas nada parece correr como
sonhou. Encontrou a pessoa certa, mas depois dos primeiros encontros fica tudo
em águas de bacalhau? Provavelmente, diz a psiquiatra e terapeuta
norte-americana Allison Conner, está a sabotar-se a si mesmo. Conheça as
armadilhas que deve evitar.
Segundo Allison Conner, o erro número um, são os Jogos, aqueles que todos
jogamos quando temos medo de sofrer uma rejeição. E, de todos, o mais perigoso é
aquele em que se adopta uma postura cool, tipo "também só vim ver a bola". O
resultado é desastroso, porque o outro interpreta essa frieza, distância e até
arrogância como detestável, e afasta-se. Por isso tenha a coragem de se mostrar
como é, sem artifícios, à Morangos com Açúcar.
Atenção também à tentação de passar o tempo a falar do seu ex. Se o objectivo
é dar a ideia de que já teve outras relações, e que sai sempre por cima,
assusta; se é sinal de que a pessoa que agora tem à frente nunca vai estar à
altura do seu/sua antecessor/a, então não haverá muitos candidatos à corrida.
Caso fale compulsivamente do passado é porque ainda tem problemas graves por
resolver, e o melhor é resolvê-los antes de embarcar noutra relação. Mas não se
esqueça de que as pessoas quando entram dentro de nós é para sempre, e é preciso
aceitar que assim é, e andar com a vida para a frente.
Se é mulher, há dois erros que terá mais probabilidade de cometer do que se
for um homem: projectar demasiado o futuro (ao fim de dois encontros está a
perguntar-lhe quantos filhos é que ele quer ter), e preocupar-se de mais ("Será
que ele disse aquilo porque queria dizer, ou apenas para ser simpático, mas que
estúpida...", etc., etc. e mais etc.). "A ansiedade mata a boa disposição, o
humor, a capacidade de arriscar, tornando-a menos atraente", alerta Allison,
para acrescentar imediatamente: "Por favor, agora não comece a ruminar nesta
minha frase". Tente confiar mais em si, e acreditar "que se é para dar, irá
resultar", e que se ele está aí ao seu lado é porque quer estar aí ao seu
lado...
Há aqueles que cometem o erro oposto, ou seja, o de não saber ler os sinais,
nem prestar atenção aos cartões encarnados que o outro lhes vai mostrando. Não
telefonou, é porque não quis telefonar, deixe--se de cantigas e enfrente a
realidade, evitando entrar para o grupo daqueles que preferem relações
impossíveis a lutar por uma verdadeira, que às vezes magoa e dói, é certo, mas o
faz feliz.
Finalmente, há a armadilha do compromisso, que ataca mais o sexo masculino do
que o feminino, segundo a terapeuta. São os que avisam logo que "não é para ser
a sério", mas vão ficando, os que têm medo de escolher aquele/a porque, um dia,
pode aparecer alguém melhor. São aqueles que acreditam no mito estúpido de que
há por aí uma alma gémea, talhada e pronta. O resultado, diz Allison Conner, é
que acabam sozinhos, deixando muitos corações partidos pelo caminho. Ou seja,
tudo o que o leitor não quer.